O primeiro semestre de 2026 foi, sem exagero, o período mais transformador da história recente do marketing digital. IA generativa entrou nos fluxos de trabalho de forma definitiva, o Google AI Mode começou a redesenhar a busca orgânica, a regulação avançou em múltiplas frentes, e o vídeo curto consolidou sua posição como canal primário de descoberta — não apenas de engajamento.

Com base nos dados e tendências emergentes de H1 2026, este artigo projeta o que o segundo semestre reserva para gestores de marketing, anunciantes e agências. Não são previsões especulativas — são extensões de tendências que já estão em movimento acelerado.

90%
Das campanhas digitais terão algum componente de IA até dez/2026
+35%
Crescimento de buscas por voz em 2025-2026
obrigatório
Zero-party data como estratégia de dados próprios
SGE muda
CTRs orgânicos em queda com busca generativa

O que os Dados de H1 2026 Revelam

Antes de olhar para frente, vale entender o que aconteceu no primeiro semestre — porque H2 será uma continuação e aceleração dessas tendências, não uma ruptura.

IA generativa: da experimentação ao padrão

No início de 2025, IA generativa em marketing era adotada principalmente por early adopters — agências menores e mais ágeis, gestores de tráfego independentes, e equipes de empresas de tecnologia. Em 12 meses, o quadro mudou: segundo uma pesquisa da HubSpot com 1.400 profissionais de marketing no Brasil e América Latina publicada em abril de 2026, 67% das equipes de marketing já usam IA generativa pelo menos semanalmente nos seus processos de trabalho. 23% a usam diariamente.

Vídeo curto como canal primário

O TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts passaram de formatos de entretenimento para canais primários de descoberta de produtos. Dados da Meta para o Brasil mostram que 58% dos compradores online brasileiros descobriram ao menos um produto que compraram em 2025 via Reels — acima dos 41% de 2024. O vídeo curto não é mais uma opção no mix; é a entrada principal do funil para boa parte das categorias de consumo.

A busca está se fragmentando

O domínio absoluto do Google na busca está sendo erodido gradualmente. Em 2026, uma parcela significativa de buscas informacionais (pesquisas do tipo "como fazer", "o que é", "qual o melhor") está migrando para ferramentas de IA como ChatGPT, Perplexity e Claude. O Google ainda domina buscas transacionais e locais, mas o comportamento de pesquisa do usuário está se diversificando rapidamente.

Tendência 1: IA como Padrão, Não Diferencial

Em H2 2026, ter IA no processo de marketing deixará de ser diferencial competitivo — será o mínimo esperado. O diferencial estará em como cada empresa usa IA: com mais inteligência, mais personalização e mais integração entre dados e execução.

O que fazer em H2 2026

Não basta mais "usar IA". A pergunta que clientes e prospects vão fazer é: "Como sua agência usa IA melhor do que as outras— Construa um ponto de vista específico sobre o uso de IA no seu nicho de atuação e documente resultados concretos. Cases com números reais — não apenas descrições de processo — são o novo cartão de visitas.

Automação de ponta a ponta

A próxima onda de adoção de IA no marketing não está nas ferramentas individuais — está na automação de fluxos inteiros. Empresas que conectarem ferramentas de IA (Make, n8n, Zapier) com seus CRMs, plataformas de ads e sistemas de dados terão eficiência operacional radicalmente superior. O custo de não automatizar continuará aumentando à medida que concorrentes automatizam.

IA para análise de dados, não apenas criação

O uso mais subdesenvolvido de IA no marketing brasileiro ainda é análise de dados. Ferramentas como Julius.ai, Akkio e os novos recursos de análise do Google Analytics com Gemini permitem que gestores sem background técnico extraiam insights de grandes volumes de dados em linguagem natural. Isso democratiza a análise e elimina um gargalo histórico nas agências.

Dado de mercado: Empresas que combinam IA generativa para criação + IA analítica para otimização + automação de fluxos geram, em média, 3,8x mais receita por funcionário de marketing do que empresas que usam IA apenas pontualmente, segundo McKinsey Digital Report de março de 2026.

Tendência 2: A Morte do Cookie e o Imperativo do Zero-Party Data

O cookie de terceiros finalmente morreu no Chrome em fevereiro de 2026 — após anos de adiamentos, o Google seguiu Firefox e Safari e deixou de suportar cookies de terceiros por padrão. Isso não elimina a publicidade digital, mas muda fundamentalmente como o targeting funciona.

O que é zero-party data

Zero-party data é a informação que o consumidor escolhe ativamente compartilhar com uma marca — em oposição a dados coletados passivamente via cookies ou rastreamento. Exemplos:

  • Preferências declaradas em quiz ("Qual seu objetivo de fitness—)
  • Histórico de compras em loja própria
  • Respostas a pesquisas e formulários
  • Preferências de comunicação (frequência, canal, tópicos)
  • Wishlist e listas de favoritos

Como construir sua estratégia de zero-party data

Para marcas e agências, a estratégia de zero-party data em H2 2026 passa por três frentes:

  1. Coletar com valor claro: o consumidor só compartilha dados quando recebe algo em troca — personalização real, desconto relevante, conteúdo útil. Formulários genéricos de newsletter não funcionam mais.
  2. Usar com relevância: dados coletados precisam gerar personalização real e visível. Consumidores percebem quando os dados são coletados mas nunca usados.
  3. Combinar com dados de plataformas: zero-party data próprio + dados de comportamento das plataformas (Google, Meta, TikTok têm seus próprios sinais mesmo sem cookies) cria targeting mais preciso do que cookies de terceiros jamais permitiram para a maioria dos anunciantes.

Tendência 3: Busca Generativa e o Novo SEO

O Google AI Mode — sistema de respostas geradas por IA na busca, chegando ao Brasil no segundo semestre de 2026 — vai transformar o SEO mais profundamente do que qualquer atualização de algoritmo anterior. Quando o Google responde a pergunta diretamente no SERP com IA, o CTR orgânico para posições 2-10 cai dramaticamente.

O que está mudando

Pesquisas de mercado com o AI Mode ativo nos EUA mostram quedas de CTR orgânico entre 15% e 45% para consultas informacionais — as mais afetadas são pesquisas do tipo "como fazer X" e "o que é Y". Pesquisas transacionais e locais são menos impactadas.

AEO: Answer Engine Optimization

O novo imperativo do SEO em 2026 é ser citado pelas ferramentas de IA — não apenas ranqueado pelo Google. Isso exige:

  • Conteúdo com autoridade real: IA cita fontes com credibilidade estabelecida, dados originais e expertise clara
  • Estrutura de dados (Schema.org): facilita que IA consuma e cite seu conteúdo
  • FAQ e perguntas diretas: conteúdo no formato de pergunta-resposta é mais facilmente incorporado em respostas de IA
  • Dados e estatísticas próprias: pesquisas e dados originais são altamente citados por ferramentas de IA

Fonte: blog.google

Tendência 4: Vídeo Curto como Canal Primário

Se em 2024 vídeo curto era obrigatório, em H2 2026 ele é o canal estruturante — o primeiro ponto de contato em muitas jornadas de consumidor, especialmente para públicos abaixo de 40 anos.

O que muda na produção de vídeo

Três mudanças fundamentais estão em curso:

  1. Volume acima de perfeição: marcas que publicam 5-7 vídeos curtos por semana consistentemente superam marcas que publicam 1-2 vídeos "premium" mensais. Os algoritmos favorecem frequência e consistência.
  2. IA de vídeo como solução de escala: ferramentas como Runway, Kling, HeyGen e a própria funcionalidade de vídeo do TikTok Smart+ permitem criar vídeos de qualidade adequada em fração do custo de produção tradicional
  3. UGC sintético: depoimentos, demos de produto e reviews gerados com avatares de IA estão performando próximo a UGC real em testes controlados — e custam muito menos

Estratégia de vídeo para H2 2026

Para marcas que ainda não têm uma estratégia robusta de vídeo curto, H2 2026 é o momento de estruturar — não de hesitar. A janela de vantagem para quem entra agora ainda existe, mas está se fechando. O custo de entrada é mais baixo do que nunca graças à IA de vídeo.

Como se Posicionar para H2 2026

Com base nas cinco tendências acima, aqui está o roadmap de ações prioritárias:

Julho–Agosto

Audite seu stack de IA. Conecte ferramentas que ainda operam em silos. Implemente automações básicas de relatórios e geração de conteúdo.

Setembro–Outubro

Lance sua estratégia de zero-party data. Crie quiz, pesquisa ou oferta de valor que incentive compartilhamento de preferências.

Novembro–Dezembro

Prepare-se para o AI Mode do Google. Atualize conteúdos com Schema.org, dados próprios e formato FAQ. Revise sua estratégia SEO com foco em AEO.

O que NÃO fazer em H2 2026

  • Continuar investindo apenas em conteúdo longo de blog sem considerar o impacto do AI Mode
  • Ignorar vídeo curto por "não ter equipe de produção" — IA resolve esse problema
  • Esperar que cookies de terceiros "voltem" — não vão
  • Usar IA apenas para economizar, sem investir os recursos liberados em criação estratégica
  • Negligenciar compliance com Marco Legal da IA e diretrizes do CONAR
Perspectiva NEXA MIND: H2 2026 vai separar definitivamente as empresas que usam IA de forma estratégica das que apenas experimentam pontualmente. A diferença não estará em ter acesso às ferramentas — essas são acessíveis a todos. Estará na capacidade de integrar IA em uma estratégia coerente, com dados próprios sólidos e uma identidade de marca clara que nenhum modelo de linguagem pode replicar.

Prepare sua Empresa para H2 2026

A NEXA MIND já opera com as tendências de H2 2026 no centro da estratégia. Fale com a gente para montar seu plano de marketing digital para o segundo semestre.

Quero meu plano para H2 2026 →