O primeiro semestre de 2026 foi, sem exagero, o período mais transformador da história recente do marketing digital. IA generativa entrou nos fluxos de trabalho de forma definitiva, o Google AI Mode começou a redesenhar a busca orgânica, a regulação avançou em múltiplas frentes, e o vídeo curto consolidou sua posição como canal primário de descoberta — não apenas de engajamento.
Com base nos dados e tendências emergentes de H1 2026, este artigo projeta o que o segundo semestre reserva para gestores de marketing, anunciantes e agências. Não são previsões especulativas — são extensões de tendências que já estão em movimento acelerado.
O que os Dados de H1 2026 Revelam
Antes de olhar para frente, vale entender o que aconteceu no primeiro semestre — porque H2 será uma continuação e aceleração dessas tendências, não uma ruptura.
IA generativa: da experimentação ao padrão
No início de 2025, IA generativa em marketing era adotada principalmente por early adopters — agências menores e mais ágeis, gestores de tráfego independentes, e equipes de empresas de tecnologia. Em 12 meses, o quadro mudou: segundo uma pesquisa da HubSpot com 1.400 profissionais de marketing no Brasil e América Latina publicada em abril de 2026, 67% das equipes de marketing já usam IA generativa pelo menos semanalmente nos seus processos de trabalho. 23% a usam diariamente.
Vídeo curto como canal primário
O TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts passaram de formatos de entretenimento para canais primários de descoberta de produtos. Dados da Meta para o Brasil mostram que 58% dos compradores online brasileiros descobriram ao menos um produto que compraram em 2025 via Reels — acima dos 41% de 2024. O vídeo curto não é mais uma opção no mix; é a entrada principal do funil para boa parte das categorias de consumo.
A busca está se fragmentando
O domínio absoluto do Google na busca está sendo erodido gradualmente. Em 2026, uma parcela significativa de buscas informacionais (pesquisas do tipo "como fazer", "o que é", "qual o melhor") está migrando para ferramentas de IA como ChatGPT, Perplexity e Claude. O Google ainda domina buscas transacionais e locais, mas o comportamento de pesquisa do usuário está se diversificando rapidamente.
Tendência 1: IA como Padrão, Não Diferencial
Em H2 2026, ter IA no processo de marketing deixará de ser diferencial competitivo — será o mínimo esperado. O diferencial estará em como cada empresa usa IA: com mais inteligência, mais personalização e mais integração entre dados e execução.
O que fazer em H2 2026
Não basta mais "usar IA". A pergunta que clientes e prospects vão fazer é: "Como sua agência usa IA melhor do que as outras— Construa um ponto de vista específico sobre o uso de IA no seu nicho de atuação e documente resultados concretos. Cases com números reais — não apenas descrições de processo — são o novo cartão de visitas.
Automação de ponta a ponta
A próxima onda de adoção de IA no marketing não está nas ferramentas individuais — está na automação de fluxos inteiros. Empresas que conectarem ferramentas de IA (Make, n8n, Zapier) com seus CRMs, plataformas de ads e sistemas de dados terão eficiência operacional radicalmente superior. O custo de não automatizar continuará aumentando à medida que concorrentes automatizam.
IA para análise de dados, não apenas criação
O uso mais subdesenvolvido de IA no marketing brasileiro ainda é análise de dados. Ferramentas como Julius.ai, Akkio e os novos recursos de análise do Google Analytics com Gemini permitem que gestores sem background técnico extraiam insights de grandes volumes de dados em linguagem natural. Isso democratiza a análise e elimina um gargalo histórico nas agências.
Tendência 2: A Morte do Cookie e o Imperativo do Zero-Party Data
O cookie de terceiros finalmente morreu no Chrome em fevereiro de 2026 — após anos de adiamentos, o Google seguiu Firefox e Safari e deixou de suportar cookies de terceiros por padrão. Isso não elimina a publicidade digital, mas muda fundamentalmente como o targeting funciona.
O que é zero-party data
Zero-party data é a informação que o consumidor escolhe ativamente compartilhar com uma marca — em oposição a dados coletados passivamente via cookies ou rastreamento. Exemplos:
- Preferências declaradas em quiz ("Qual seu objetivo de fitness—)
- Histórico de compras em loja própria
- Respostas a pesquisas e formulários
- Preferências de comunicação (frequência, canal, tópicos)
- Wishlist e listas de favoritos
Como construir sua estratégia de zero-party data
Para marcas e agências, a estratégia de zero-party data em H2 2026 passa por três frentes:
- Coletar com valor claro: o consumidor só compartilha dados quando recebe algo em troca — personalização real, desconto relevante, conteúdo útil. Formulários genéricos de newsletter não funcionam mais.
- Usar com relevância: dados coletados precisam gerar personalização real e visível. Consumidores percebem quando os dados são coletados mas nunca usados.
- Combinar com dados de plataformas: zero-party data próprio + dados de comportamento das plataformas (Google, Meta, TikTok têm seus próprios sinais mesmo sem cookies) cria targeting mais preciso do que cookies de terceiros jamais permitiram para a maioria dos anunciantes.
Tendência 3: Busca Generativa e o Novo SEO
O Google AI Mode — sistema de respostas geradas por IA na busca, chegando ao Brasil no segundo semestre de 2026 — vai transformar o SEO mais profundamente do que qualquer atualização de algoritmo anterior. Quando o Google responde a pergunta diretamente no SERP com IA, o CTR orgânico para posições 2-10 cai dramaticamente.
O que está mudando
Pesquisas de mercado com o AI Mode ativo nos EUA mostram quedas de CTR orgânico entre 15% e 45% para consultas informacionais — as mais afetadas são pesquisas do tipo "como fazer X" e "o que é Y". Pesquisas transacionais e locais são menos impactadas.
AEO: Answer Engine Optimization
O novo imperativo do SEO em 2026 é ser citado pelas ferramentas de IA — não apenas ranqueado pelo Google. Isso exige:
- Conteúdo com autoridade real: IA cita fontes com credibilidade estabelecida, dados originais e expertise clara
- Estrutura de dados (Schema.org): facilita que IA consuma e cite seu conteúdo
- FAQ e perguntas diretas: conteúdo no formato de pergunta-resposta é mais facilmente incorporado em respostas de IA
- Dados e estatísticas próprias: pesquisas e dados originais são altamente citados por ferramentas de IA
Fonte: blog.google
Tendência 4: Vídeo Curto como Canal Primário
Se em 2024 vídeo curto era obrigatório, em H2 2026 ele é o canal estruturante — o primeiro ponto de contato em muitas jornadas de consumidor, especialmente para públicos abaixo de 40 anos.
O que muda na produção de vídeo
Três mudanças fundamentais estão em curso:
- Volume acima de perfeição: marcas que publicam 5-7 vídeos curtos por semana consistentemente superam marcas que publicam 1-2 vídeos "premium" mensais. Os algoritmos favorecem frequência e consistência.
- IA de vídeo como solução de escala: ferramentas como Runway, Kling, HeyGen e a própria funcionalidade de vídeo do TikTok Smart+ permitem criar vídeos de qualidade adequada em fração do custo de produção tradicional
- UGC sintético: depoimentos, demos de produto e reviews gerados com avatares de IA estão performando próximo a UGC real em testes controlados — e custam muito menos
Estratégia de vídeo para H2 2026
Para marcas que ainda não têm uma estratégia robusta de vídeo curto, H2 2026 é o momento de estruturar — não de hesitar. A janela de vantagem para quem entra agora ainda existe, mas está se fechando. O custo de entrada é mais baixo do que nunca graças à IA de vídeo.
Como se Posicionar para H2 2026
Com base nas cinco tendências acima, aqui está o roadmap de ações prioritárias:
Julho–Agosto
Audite seu stack de IA. Conecte ferramentas que ainda operam em silos. Implemente automações básicas de relatórios e geração de conteúdo.
Setembro–Outubro
Lance sua estratégia de zero-party data. Crie quiz, pesquisa ou oferta de valor que incentive compartilhamento de preferências.
Novembro–Dezembro
Prepare-se para o AI Mode do Google. Atualize conteúdos com Schema.org, dados próprios e formato FAQ. Revise sua estratégia SEO com foco em AEO.
O que NÃO fazer em H2 2026
- Continuar investindo apenas em conteúdo longo de blog sem considerar o impacto do AI Mode
- Ignorar vídeo curto por "não ter equipe de produção" — IA resolve esse problema
- Esperar que cookies de terceiros "voltem" — não vão
- Usar IA apenas para economizar, sem investir os recursos liberados em criação estratégica
- Negligenciar compliance com Marco Legal da IA e diretrizes do CONAR
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